“Outro dia, aconteceu uma coisa que me deixou realmente triste, aquela tristeza que bate num lugar mal resolvido, sabe? Então… Mas na hora em que ela bateu, eu tinha que mandar fazer os flyers da minha peça, ajudar a minha filha com sua lição de casa, fechar a temporada da peça em São Paulo, achar um hotel para ir com as crianças nas férias, me maquiar para fazer uma foto – o fotógrafo estava me esperando -, fazer supermercado e comprar os últimos livros do material escolar da minha filha. Não deu tempo de sofrer, mesmo. Aí eu pensei: tudo bem, tranquilo, assim que eu deixar a minha filha na escola, eu sofro 10 minutos no carro e chego na minha reunião “já chorada”. Ótimo. Daqui a pouco vou sofrer muito. Obrigada!
Deixei a minha filha na escola e aproveitei para pagar a mensalidade que estava atrasada. Entrei no carro. Selecionei aquela música – que eu ouvia na sexta série – no cd do meu carro e…meu telefone tocou. Tive que resolver várias coisas. Quando percebi, já estava na frente do lugar da minha reunião e precisava entrar.
E assim foi o meu dia, sem parar. À noite eu prometi pra mim que, assim que tudo ficasse mais calmo, eu entraria no chuveiro e sofreria dignamente como estava precisando e merecendo. Afinal de contas, sou mãe, madrasta, mulher, atriz, produtora, mãe de dois cachorros, dois coelhos, mas eu também sou pessoa e tenho o direito de padecer no meu pequeno paraíso.
Fiz todas as minhas tarefas da noite. A casa silenciou, então eu pensei: “Meu Deus, agora é o meu momento”. Entrei no chuveiro, me preparei psicologicamente para o meu genuíno sofrimento. Ele não fazia mais o menor sentido.”
fonte: http://bebe.abril.com.br/blogs/confessionario/2012/03/08/nao-da-tempo-de-sofrer/
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